sexta-feira, 19 de março de 2010

Onde está a minha casa de campo, meus discos e amigos?
Sinto-me uma merda nestes dias talvez por ser egocêntrica , por estar somente em mim. Quero as minhas óperas,minhas saladas,meus amigos, andar e passear entre as livrarias na baixa.
Quero voltar à adolescência.Sentir paixão pela vida, ler poesia ,discutir filosofia mas sem ar de intelectual somente com vontade de "apreender".
Quero comer o melhor sorvete da minha vida ,a coca-cola de domingo, meus avós, meu pé de malagueta ao fundo do quintal.
Quero voltar a ser feliz, livre de sapatos.
Queria que minha poesia não fosse aquilo que quero mas o que tenho.
Não estou feliz.


sábado, 13 de março de 2010

Oscar Wilde e minha gaveta e a cigarrilha de aroma.

" Cigarros são as formas perfeitas de prazer : elegantes e insatisfatórios. " Oscar Wilde.

Por isso que estão na minha gaveta de roupas que já não me cabem há muitos anos e para lembrarem de como fui elegante e como fiquei insatisfeita com seu aroma a baunilha,talvez esta frase não valha ,pois não, eram cigarros contudo cigarrilhas.
Ando às voltas com uma dor de costas que não me deixa ser elegante e com uma depressão que nada é satisfatório.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Cigarrilha de aroma

" Ya me canso de llorar y no amanece
Ya no sé si maldecirte o por ti
rezar "

Llorona, Chavela Vargas.

E assim desceu ela às escadas que vinham do segundo andar , zangada com o passo apressado com uma nota presa por pulso cerrado, foi à papelaria, esperou que adivinhassem o que ela precisava naquela manhã de olhos pintados à anos 60, pediu tremula uma cigarrilha de aroma, agora lhe apetecia fumar.
Voltou para casa esperando que o marido não descobrisse que não fora trabalhar , fumo , bebeu café, fumou meia cigarrilha e ouviu Chavela Vargas.
Não fez a cama, usou a tigela do arroz -doce como cinzeiro , já que naquela casa nunca ninguém havia fumado.
Cansada já estava ela de acreditar que as boas meninas não fumam , não bebem tequila e não escutam Chavela Vargas... porque seu mundo era de Chavela, Almodóvar, Frida Kahlo e de vontade lascívia , pois ela sabia que estava sozinha, casada com um bom marido sem filhos em um segundo andar de um bairro de classe média com vista para estaleiro da capital.
Nesta manhã somente a sua gata compreendeu-lhe e não afastou-se do cheiro amargo e fumado da cigarrilha que a sua dona havia comprado na papelaria com a nota amassada pelo pulso cerrado.